A ÚLTIMA VIAGEM




TABACARIA
Fernando Pessoa



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto.
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe que é
(e se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos.
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres.
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer.
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e arvores,
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?


 Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?

Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?

O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo.
Tenho feito mais filosofias que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e serei sempre, o da mansarda.
Ainda que não more nela;
Serei sempre só o que não tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todos o mundo antes de nos levantarmos da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira.
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pr’a o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida, como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo de nossos pais,
Ou não sei quê moderno – não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isso é estrangeiro, como tudo.)


 Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente


Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.


Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.


Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,


Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.


Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.


Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.


Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.


(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Céu da Sagrada FAmilia 1

 
A construção começou em estilo neo-gótico, mas o projeto foi reformulado completamente por Gaudí ao assumi-lo. O templo foi projetado para ter três grandes fachadas: a Fachada da Natividade, quase terminada com Gaudí ainda em vida, a Fachada da Paixão, iniciada em 1952, e a Fachada da Glória, ainda por completar. Segundo o seu proceder habitual, a partir de esboços gerais do edifício Gaudí improvisou a construção à medida que esta avançava. O templo, quando estiver terminado, disporá de 18 torres: quatro em cada uma das três entradas-portais, em forma de cúpulas;  terá um sistema de seis torres, com a torre do zimbório (parte mais alta e exterior da cúpula, em forma de torre, em geral circular ou octogonal) central dedicada a Jesus Cristo, de 170 m de altura, outras quatro ao redor desta, dedicadas aos evangelistas, e um segundo zimbório dedicado à Virgem. O interior estará formado por inovadoras colunas arborescentes inclinadas e abóbadas baseadas em hiperbolóides e parabolóides buscando a forma ótima da catenária. Estima-se que poderá levar no seu coro 1500 cantores, 700 crianças e cinco órgãos. Em 1926, ano em que faleceu Gaudí, apenas estava construída uma torre.

Céu da Sagrada Família

 

O Templo Expiatório da Sagrada Família, também conhecido simplesmente como Sagrada Família, é um grande templo católico da cidade catalã de Barcelona (Espanha), desenhado pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí, e considerado por muitos críticos como a sua obra-prima e expoente da arquitetura modernista catalã. Financiado unicamente por contribuições privadas, o projeto foi iniciado em 1882 e assumido por Gaudí em 1883, quando tinha 31 anos de idade, dedicando-lhe os seus últimos 40 anos de vida, os últimos quinze de forma exclusiva. A construção foi suspensa em 1936 devido à Guerra Civil Espanhola e não se estima a conclusão para antes de 2026, centenário da morte de Gaudí.

Céu Coxa Branca


Meu pai, ferroviário de profissão, trabalhava na área administrativa da Rede Ferroviária Paraná – Santa Catarina (na época ainda se chamava assim), sempre foi ligado ao futebol. Primeiro tomava conta de um quiosque dentro do estádio Dorival de Brito. Eu, criança ainda, às vezes ia ajudar a lavar copos, que eram de vidro!!!  Depois de aposentado, meu pai foi trabalhar na Federação Paranaense de Futebol. Anos mais tarde, voltava eu aos campos, desta vez, com 17/18 anos, para vender ingressos e assim garantir as baladinhas do final de semana. Certa feita, trabalhando, num domingo ensolarado, na Arena da baixada, estádio do Clube Atlético Paranaense, um acontecimento no mínimo pitoresco, pelo contraste. Na época, tinha uma bilheteria nos fundos do estádio, numa rua sem saída. Pelas minhas lembranças, não era um dia movimentado, e o estádio estava com pouco público. Na rua que terminava no estádio, estava acontecendo um velório. A cada jogada os torcedores demonstravam suas emoções de alegria de ira de nervosismo. Naquele momento eu só pensava na família que era obrigada a dividir sua tristeza com a festa da torcida. Na foto, meu avo, em destaque, 1º da direita para esquerda, sentado, no time do Coritiba Futebol Clube.  

Céus! Outra Coincidência!!!


Passeios surpresas sempre aconteceram na minha infância. Um desses passeios foi ao aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, com minha irmã e meu cunhado, cidade colada a Curitiba. Tinha mais ou menos uns nove anos. Tarde interessante, pois foi a primeira vez que vi um avião muito próximo. Também tinha a comemoração da semana da asa, no dia do aviador. Desta feita minha madrinha me acompanhava. Uns dois anos mais tarde meu primeiro passeio no ar. Meu vizinho era piloto particular de avião. Seu filho e meu amigo (também se chamava Sérgio) e me convidou e lá fui eu vomitar pelos céus de Curitiba. Aos 20 anos minha primeira viagem, como passageiro. Fui ao Rio, com um amigo, para curtir o Carnaval carioca. Pequenas passagens para ilustrar a coincidência que do destino. Na foto, já no lado profissional, escala em Curitiba indo para Foz do Iguaçu.

Céus de Carlitos


"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"
Charles Chaplin - (Londres 17.04.1889 - Corsier-sur-Vevey 25.12.1977)
A foto é no Regente Park, Londres.

Céus de Maputo


Lourenço Marques, antigo nome da capital de Moçambique, foi fundada em 1782. A cidade passou a chamar-se Maputo depois da Independência Nacional, uma decisão anunciada pelo então presidente Samora Machel, a 3 de Fevereiro de 1976. O nome provém do Rio Maputo, que marca parte da fronteira sul do país e que, durante a guerra pela independência de Moçambique, adquirira grande ressonância através do slogan "Viva Moçambique unido do Rovuma ao Maputo" (o Rovuma é o rio que forma a fronteira com a Tanzânia). Com a independência, a cidade sofreu um imenso afluxo populacional, devido à guerra civil travada no interior do país (1976-1992) e à falta de infra-estruturas nas zonas rurais. Para além destas duas designações, a cidade e a sua área também foram conhecidas por outros nomes, como Baía da Lagoa, Xilunguíne ou Chilunguíne (local onde se fala português), Mafumo, Camfumo ou Campfumo (do clã dos M'pfumo, o reino mais importante que existia nesta região), Delagoa e Delagoa Bay, sendo esta mais conhecida internacionalmente pelo menos até aos primeiros anos do século XX.
A foto é do Hotel Polana, considerado um dos melhores da África. Da varanda do meu quarto eu tinha uma vista incrível da Baía de Maputo (Oceano Indico) e de uma ilha de nome, no mínimo, peculiar: Ilha de Inhaca.

Céus de Mandela


"Se depois de eu morrer quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tenho só duas datas: a de minha nascença e a de minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meu..."                              Fernando Pessoa
A parada para a breja foi num Shopping em Joanesburgo, em 1996.

Céus da Mogúncia


Mainz ou Mogúncia cidade da Alemanha, situa-se na margem esquerda do rio Reno, pois com a redivisão dos estados alemães após a Segunda Guerra Mundial, Mainz perdeu os bairros localizados na margem direita do rio Reno. No século I a cidade foi ocupada pelo Império Romano, depois de batalhas com os povos germânicos residentes no local e sendo a capital da província romana da Germânia Superior. As construções romanas, como fortificações, aquedutos e obras de engenharia estão preservados até hoje. No final do século  XV. Johannes Gutenberg, que tinha sua oficina em Mainz, inventou a imprensa, sendo a Bíblia o primeiro livro impresso. A Catedral de Mainz (ou Catedral de São Martim) é um dos expoentes da arquitetura românica na Europa e data do século X. Na foto, ao fundo, o rio Reno, nome de origem celta que significa “Fluir”. ρέω (Rhéo) em grego antigo tem o mesmo significado. (Fonte: Wikipédia)

Céus da Coincidência


Óia eu fantasiado de chinês novamente 40 anos depois. Agora por opção. Foi o período que eu passei em Hong Kong. A foto é na Stanley Market, localizado a sudoeste da ilha de Hong Kong. É um conjunto de pequenas lojas e bancas de rua com artesanato e souvenirs, além de restaurantes e quiosque de comidas rica em sabores locais, bem como utensílios domésticos, brinquedos e moda de baixo custo. O chapéu chinês com trança foi só pra tirar mais uma daquelas fotos pra fazer graça (sem graça nenhuma).

Céus de Carnaval


Mais mico produzido e confeccionado by Tia Verinha, do chapéu até o sapato. Essa época era um saco, apesar de quando criança gostar de carnaval. O que eu não gostava mesmo era de me fantasiar, reparem na cara momesca explodindo de alegria. Com apenas 6 ou 7 anos, eu ainda não tinha vontade própria. A foto é na Sociedade Morgenau, um clube de bairro eem Curitiba. Atrás minha mãe e a mãe do meu tio Amilton, D. Maria. Voltando ao personagem Mandarim, o bigodinho (torto) e os olhos puxados, com lápis para parecer mais chinês, se é que isso seria possível, pois o cabelo loiro melado e os olhos claros não enganariam ninguém, obra da minha madrinha. Detalhe importante: lança perfume na mão. Na época era apenas uma divertida brincadeira gelada com fragrância leve que perfumava o ar.

Céus Quase Continental


Quando passei um período de 9 meses em Hong Kong, fui visitar a cidade de Shezhen,  na China Continental. Cidade super moderna, com sua arquitetura arrojada, foi fundada nos anos oitenta, para promover a modernização e diminuir o choque sócio-economico-cultural, fui a um parque temático chamado JANELAS DO MUNDO. Incrível a perfeição das réplicas (em escala menor) dos principais monumentos e prédios do mundo. Por exemplo: Paris – Torre Eiffel, Egito – Pirâmides, Brasil – Congresso Nacional de Brasília e a Catedral, etc. Já estava passando a fronteira, a travessia era feita a pé por uma ponte/passarela, de volta para Kowloon quando um cartaz anunciando os dias que faltavam para o final da concessão (50 anos) do domínio de Hong Kong pela Inglaterra, me chamou a atenção. Ao longo da ponte ficavam os soldados que observavam tudo e todos. Estava quase no final da passarela, tirei uma foto cartaz. Era uma foto histórica. Um dos guardas, aos gritos, falando chinês,  me chamou e disse que era proibido filmar ou fotografar o outro lado da fronteira. Só entendi pelos gritos e pelo dedo fazendo sinal negativo e apontando para a máquina. Tentei de todas as maneiras, por gestos, fazê-lo entender que era apenas uma foto. Mas o resultado foi que tive que tirar o filme da máquina. Tentei dar outro filme (virgem) que tinha, para não perder as fotos do passeio. Mas o soldado foi irredutível: para ter certeza que eu não iria tentar mais nada, ele desenrolou o filme todo. Do passeio restou a lembrança e essa foto, já no lado de Novos Territórios (fronteira entre as duas chinas da época – l995)

Céus da Anastácia


“Esta lá?” era assim que o português Antonio Maria (personagem de Sérgio Cardoso) atendia ao telefone na novela da TV Tupi, nos anos 60. Certa vez minha tia ligou e eu atendi ao telefone desta maneira: “Está La?”. Foi o que bastou, até hoje brincamos e nos divertimos com isso. Terceira filha de uma prole de sete. Nasceu no dia das mães, lá pelos idos de 1926 e, pra fazer inveja aos irmãos, minha mãe dizia que era obrigada a ouvir: nunca precisei dar presentes no dia das mães para a minha, pois eu já sou o presente. Que “reiva” dizia minha mãe. Tia Nasta, meu padrinho Lalo, seu marido e minhas cinco primas moravam em União da Vitória, interior do Paraná. Ela sempre brincava: estou tentando um menino, mas não vem. Era uma festa quando chegavam as férias do meio de ano, pois ia para lá para matar as saudades das minhas primas. Ir para lá significava também investir uma graninha, chegava com um real e saia com 15 reais. Sempre divertida, trabalhadeira, carinhosa.  A foto é do dia da festa de seus 80 anos. Desculpem por esse momento particular, mas nada mais justo que esta homenagem

Céus do Vulcão


O Vulcão Poás fica cerca de uma hora e meia de viagem de San José, Costa Rica. A estrada que leva até o parque nacional é cercada de vilarejos simples e charmosos e cachoeiras. Sua cratera de 1.320 metros de diâmetro, a numa altitude de 2.708 metros em relação ao nível do mar, uma das maiores de todo o mundo, aumentada na ultima erupção em 1955. O tempo estava nublado, e não pude contemplar dentro da cratera o lago dos botos que tem, pela alta concentração de enxofre, uma impressionante cor azul-turquesa em suas águas. Fica apenas o registro na memória. Na foto menor, fonte internet, a cratera e o lago, sem nuvens ou neblina, apenas para vislumbrar a maravilha que não pude ver.

Céus Dos Meus 9 Anos


“Oi filhinho! Tudo bom? Vem dar um beijinho na madrinha”. E lá ia eu. “A madrinha te trouxe um presente”. Sempre tinha que gostar, podia nunca mais usar, ou se fosse um brinquedo, deixá-lo de lado, mas sempre tinha que agradecer muito. “Vista a camisa e ponha uma calça! Vamos no jardim tirar uma foto.” Assim mesmo, imperativa. Desenfarusque essa cara, faça uma pose, ponha o pé mas pro lado, não fique ai parado feito não sei o que, vá, vá... E eu ia obedecendo. Mesmo porque não adiantava de nada fazer o contrário. Mas o detalhe mais importante da foto é a falta de enquadramento. Marca registrada da tia Verinha. As vezes ela errava e a foto saia perfeita.  

Céus de Copacabana


"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra." Mário Lago
Praia de Copacabana, Rio. Fim de tarde.

Céus do Ano Novo

 

Kung Hei Fat Choy - Feliz Ano Novo Chinês

2011 é o ano do Coelho que começará no dia 03.02.2011 terminando no dia 22.01.2012. Na China são três dias de festa, mas no total são 15 dias de comemorações e preparativos. O 1º dia da 1ª lua, dia da entrada do ano, após a queima de fogos, crianças saem às ruas para pedir o Hung Bao, envelope vermelho, o dinheiro da sorte, o Laí si (em cantonês) aos mais velhos. O 2º dia da 1ª lua: é também o dia de aniversário de todos os cães. O 3º dia, conhecido como Po Kou (Dia da Discórdia), é propenso a conflitos e discussões entre as pessoas, e  para evitar isso, os chineses procuram não sair de casa. O 4º dia é costume os genros e as noras visitarem os sogros. No 5º dia, é hora de dar boas vindas ao Deus da Fortuna e é também o dia de voltar ao trabalho. No 7º dia do Ano Novo Lunar é festejado o aniversário de todos (Ren Re), o que significa que ficamos um ano mais velho. Tradicionalmente, este aniversário é mais importante do que o dia do próprio nascimento. No 8º dia, na província de Fujian, as famílias costumavam reunir-se para jantar e, à meia-noite, rezavam ao Deus do Céu (Tian Gong). No dia seguinte, segundo a tradição, não se deve secar qualquer tipo de roupa ao sol. No 10º dia comemora-se o dia do nascimento da Mãe água (Shui Po), por isso não se deve lavar a roupa. Ao 15º dia as comemorações chegam ao fim com o Festival das Lanternas (Yuan Xiao). Neste dia é costume comer bolo feito à base de arroz doce e recheado. A cor vermelha predomina nesta época, pois, para  o chinês, o vermelho representa “sorte”.

Céus do Símbolo do Poder


"Enquanto o Coliseu se mantiver de pé, Roma permanecerá; quando o Coliseu ruir, Roma cairá e acabará o mundo". 
Beda, Monge e Historiador inglês- Século VII
O Coliseu com mais de 50 metros de altura, cobria uma área elipsóide com 188 x 156 metros, três andares, que mais tarde ampliado com um quarto andar, sendo capaz de suportar de 70 a 90 mil espectadores, foi construído durante o Império Romano, entre 70 e 80 DC. Todo em mármore, pedra travertina, ladrilho e tufo (pedra calcária com grandes poros). A fachada compõe-se de arcadas decoradas com colunas dóricas, jônicas e corintias, de acordo com o pavimento em que se encontravam. Esta subdivisão deve-se ao fato de ser uma construção essencialmente vertical, criando assim uma diversificação do espaço. Os assentos em mármore e a cavea, escadaria ou arquibancada, dividiam-se em três partes, correspondentes às diferentes classes sociais: o podium, para as classes altas; as maeniana, setor destinado à classe média; e os portici, ou pórticos, construídos em madeira, para a plebe e as mulheres. A tribuna imperial ou pulvinar encontrava-se situada no podium e era balizada pelos assentos reservados aos senadores e magistrados.(Fonte: Internet)

Céus do Coliseo


Rampas no interior do edifício facilitavam o acesso às várias zonas de onde podiam visualizar o espetáculo, sendo protegidos por uma barreira e por uma série de arqueiros posicionados numa passadeira superior de madeira, para o caso de algum acidente. Por cima dos muros ainda são visíveis as mísulas, que sustentavam o velarium, enorme cobertura de lona destinada a proteger do sol os espectadores e, nos subterrâneos, ficavam as jaulas dos animais, bem como todas as celas e galerias necessárias aos serviços do anfiteatro. Foi palco de lutas de gladiadores, espetáculos com feras, as corridas de bigas do Império Romano  e até batalhas navais, pois o Coliseu possuía um sistema que transformava a arena num grande lago. Acredita-se que o Coliseu tenha sido cenário dos primeiros martírios de cristãos e, por isso, no século XVII, o papa Bento XIV consagrou-o à Paixão de Cristo e declarou-o lugar sagrado. A imponência desse monumento testemunha o verdadeiro poder e esplendor de Roma na época dos Flávios. Em 2007, foi eleito como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo. (Fonte: Internet)

Céus do Batel


"Sérgio levanta! Vem ver! Ta nevando." Assim fui acordado pela minha mãe no dia 11.07.1975. Tomei café e fui trabalhar. As pessoas estavam maravilhadas, apesar do frio, com aqueles flocos que caiam e encantavam. Foi a primeira vez que vi neve na minha vida. Todos brincavam, atiravam pelotas de gelo uns nos outros, fora as tentativas de montar bonecos com o gelo, alguns com sucesso, mas o que valia mesmo era a diversão. No horário do almoço, eu e minha turma nos reunimos, no Batel, bairro próximo ao centro de Curitiba, para também participarmos daquele dia atípico de inverno. Eu sou o primeiro da direita para a esquerda.

Céus das Ruinas de São Paulo


As Ruínas de São Paulo em Macau são as ruínas da antiga Igreja da Madre de Deus e do adjacente Colégio São Paulo, importante complexo do século XVI destruído por um incêndio em 1835. A antiga Igreja da Madre de Deus, o Colégio de São Paulo e a Fortaleza do Monte foram todas construídas pelos jesuítas e este conjunto pode ser identificado como a "Acrópole de Macau". Tudo o que resta da maior e mais bela das igrejas de Macau é a imponente fachada de granito e a escadaria monumental de 68 degraus. As Ruínas de São Paulo, juntamente com a Fortaleza do Monte, estão incluídos na Lista dos monumentos históricos do Centro Histórico de Macau, por sua vez incluído na Lista de Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO. Pode-se considerar que esta imponente estrutura é o símbolo máximo da cultura ocidental-cristã em Macau. As Ruínas de São Paulo, mais concretamente a Igreja da Madre de Deus, foram classificadas, em 2009, como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. Fonte: wikipedia.org/wiki/Ruínas_de_São_Paulo_(Macau)

Céus do Portal


O Portal Alemão na Praça da Cultura Germânica, Bosque Alemão, reproduz a fachada da Casa de Mila, residência de 1870 construída por imigrantes alemães na antiga rua Antônio Barbosa Gomes Nogueira, hoje Barão do Serro Azul, no Centro Histórico. O Bosque é rico em atrações. O Oratório Bach, uma sala para concertos musicais. A Torre dos Filósofos, com um mirante. A trilha João e Maria. A Casa Encantada, com uma biblioteca infantil. A Praça da Cultura Germânica, além do bosque de mata nativa e nascentes de água doce. (www.curitiba-parana.net/parques/alemao.htm

Céu da Saudade II


"Parecia-me que a Terra não seria habitável se não houvesse alguém que eu pudesse admirar."
Simone Beauvoir
Hoje meu pai completaria 93 anos. Na foto de 10/02/39, quase um mês depois de completar 21 anos.

Céus do Uruguai


A Muy Fiel y Reconquistadora San Felipe y Santiago de Montevideo, ou simplesmente Montevidéo, como é conhecida. A Plaza Independência abriga de um lado a Puerta de La Ciudadela e do outro uma estátua do General José Gervásio Artigas (1764 – 1850). Há um mausoléu debaixo da estátua desse herói uruguaio onde estão suas cinzas em exposição, guardadas em uma urna. Onde agora esta a estátua do General Artigas estava a cidadela de Montevidéo, demolida no final do século 19. Podemos encontrar imagens deste herói em cada canto do Uruguai. A Plaza Independência ostenta ainda o principal teatro da cidade, o teatro Solis, e também  o imponente Palácio Sálvio.